domingo, 26 de janeiro de 2014

RIBOMBA, RIBOMBA?!... etimo etimologia

Todos ou quase todos
têm seu conforto
seu Paráclito
seu santo espírito
seu médico de confiança
no qual crêem piamente
no crédito do credo
do crido crível pelo crente
que crê no incrível
mas não no incréu.
Têm seu amor,  filho ou filha,
pai, avô, tataravó...
por quem julgam ser amados Jorge
ou Jorges Amados por Amandas amadas
- amapolas no campo de amapolas
de Monet vivo
na natureza natimorta.

Eu não creio em nada
mas na penúria de solidão de ilha
sou meu traidor
arguí intrigas contra mim
em foro íntimo
e nas coortes.

O judas que vegeta comigo
vendeu-me por trinta moedas
para adquirir o Campo do Oleiro, quiçá.

O Judas que tramou contra mim
que não é de Judá
também é Iscariotes.
O Judas que me entregou com o beijo da paz
ao Caifás que caiu do céu
foi o mesmo que posteriormente
traiu Jesus no horto das Oliveiras
em Getsêmani.

Todavia ninguém me atraiçoou
perante a lei
e a Justiça.
 
Ninguém viu
nem pode enxergar
com olhos de cegos
conduzindo outros olhos cegos
ao médico que urdiu minha morte
ao advogado que logrou me furtar.


Isso ninguém viu
porque a venda da Justiça
tapava-lhes o olho
- de piratas
na caixa de biscoitos
- piraquê
vendido no mercado
de Santa Maria
em latitude onde brota,
espoca e espuma
a torrente de um rio grande
que ribomba do sul.
Ribomba?!...

Ver para quê?!...:
- Para crer?!
Deixa de ser
credor da credulidade,
homem incréu,
Judas de véu
- e grinalda.
Judas desvelado
na aletheia do Juízo :
"Aletheu"!

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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

LÁTEX, LÁTEX! - etimologia etimo



Nada, nem o pensamento,
que é algo como o ponto
e o segmento de reta,
ou seja, quase nada
posto e contraposto
a gosto e  desgosto
da geometria,
exprime a vida no vivente,
contente ou descontente
ilumina o sentimento de vida,
a sensação de estar vivo,
o frêmito inenarrável
de partilhar de tudo
que corre no universo
aonde nada,
voa, anda , corre, medita
o corpo vivo,
cheio de um  espírito
que roda o pneu na alma
pneumática na árvore
ao escorrer em látex(látex!)
do tronco ferido da seringueira
e, posteriormente, de Charles Goodyear,
até encher de ar
ao pneu do bólido de fórmula 1
guiado pelos foles com ventos musicais
que animam piloto e automóvel
em matérias diferentes
mas com espíritos similares
aos lares de onde provêm
e vem a prover os suportes tecnológicos
entre as mãos da natureza e da cultura
que lutam em um cabo de guerra.
 Nada,  nem tudo o que o pensamento revestido,
 travestido de palavras e conceitos possa exprimir
expressa a sensação mínima de estar vivo:
a expressão, mesmo a dos maiores poetas,
filósofos e grandes escritores
e artistas que sinalizam a vida
por outros meios de simbolização e linguagens.
Nada disso chega perto da expressão da vida,
mesmo quando vivos e coevos
os autores e atores da vida
no seu berro em sintagmas
mais cálidos que magma.

Pegureiro, pegureiro,
o caminho do toureiro
sem eira nem beira
está mensurado pela jeira do campo
e pelo  lírio que ruboriza
o vale da torrente do Cédron,
por onde correu o Rei Davi,
por onde perambulou Jesus
em grande luz
antes de apagar-se na cruz
do lusco-fusco ao fogo-fátuo.

Pegureiro, pegureiro,
o caminho é ligeiro
e pisa nele a pisada
que pesa o caminhar
sem pesar de pé
de arameu errante
diáspora fora
sôbolos ribeiros de  Babilônia
por onde se achou Camões
quando em achas de vida
em combustão de paixão,
mas não nas hachuras
de uma professora que tive.

Evoco numa prece
que desce, cresce
e que diz,
ó perdiz,
perdida perdiz!,
que a força glicêmica,
motriz, matriz,
que chacoalha a vida
com o triplo de energia vital
do que a glicose é capaz
sequer de armazenar :
- Esta eufêmia é o amor :
explícita paixão
que arrebata o vulcão
e se organiza no orgasmo
que vai num átimo
da música de Buxtheude a Bach
no Órgão sagrado
onde se acha escondido em geoglifos,
mas queimando em achas de luz
para leitura dos sábios
e pastores apaixonados,
o opúsculo do organista de Sainte-Chapelle
e os ensaios em versos
com baladas,  romances, sagas e gestas
com perspectivas filosofantes
de poetas e novelistas genuínos
que foram organistas de sonhos
da Igreja de Santa Maria Novella
e a deixaram lá
em lá maior
esse frenesi de vida vibrante
cujo empuxo é o amor em flor
deixado deitado em campos de lírios amarelos
e fulvos no olhar
a que não falta ferro e fogo
retirados ao vale do ribeiro do Cédrom
e posto nos livros iluminados
dos Mosteiros da Ordem de Cister
aonde o sonho de Cristo
se retirou para dormir em paz
ao bimbalhar dos milênios.
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sábado, 14 de dezembro de 2013

RUFIÃO, Ó RUFIÃO! - etimologia etimo



Sou o homem da poesia
este que fala sozinho
com seus botões
com seus versos
pintados de signos,
pilhados em signos
com estofo de símbolos
em  escrita de escriba hipócrita
ou sendo sincero na senda
como o cerro e o sincerro
que encerra o certo na serra
na guerra, na terra.
O sincerro é para ouvir
por onde erro
o animal no cerro
e dentro do homem sincero
que se encerra no cerro
e vive inserto no sertão incerto
ouvindo o tilintar do sincerro
o qual  ouviu e ecoou o profeta indignado
ante tanta ignomínia!...
- Ante a anta
e antares
por cima dos ares,
mares, gares...

Há, por certo e perto,
o homem da medicina,
o da cúria, da bazófia,
da incúria, do coringa...
o homem de boa-fé,
de fé, já de pé
ante o dilúculo
com lúpulo
e este que escreve solitariamente
ou para a solidão e solitude grafa,
glifa o glifo : o grifo e o hipogrifo.
Grafo, gravo, desagravo o grifo, o glifo,
mas não deixo de ouvir o tinir do  grilo
que estrila do mundo natural
algo de criatura escondida
a cantarolar ao criador :
estado estando à sombra da alfombra...
escabelo de belo cabelo descabelado
da Berenice com sua coma
e espargir pelo céu
véu vetusto não cerúleo.

Sob a marquise,
ombreando com a pilastra,
faço subir uma coluna de fumaça
( fumaça de fumo, tabaco)
pela coluna que sustem a mole da construção,
pois sou homem
e o homem não é homem sem artefato.
( O homem é o homem,
a mulher a mulher
com a língua da cultura na boca
e na mente aculturada,
cultivada, cultuada, culta, em culto,
com a língua mordendo os dentes
com a lenga-lenga da cultura
que nos torna ridículos e geniais,
sábios e tolos).
No caso, o artefato é um cigarro
que dá pigarro ao médico
o qual  cantarola, em sua barcarola,
o védico do médico,
seu mantra, sua menta,
em contraparte ao que sobe do nariz
em meu espantalho
enquanto empalho a palha
onde se enrola o fumo,
fruto do tabaco
a caminho das cinzas
que o penitente profeta judeu
espalhou pela cabeça
depois que rasgou as vestes
num gesto violento de indignação
ante tamanha injustiça e opróbrio
que é a comunidade humana
também denominada "humanidade"
( Entrementes, o fumo se enrola no fauno
e a fauna é escuna que navega na flora,
vela à mezena.
O homem, a mulher,
é a escuna e a mezena na escuna
ou fora do nado da nave :
peixe em terra,
no rio ou no mar oceano).

Manhã cinza,
amanha a manhã cinza;
maninha manhã
para manha de maná
que não tem por cá
não sei porque.
Já, até enjoá, manacá tem por cá,
para lá e para cá da sebe com o cheiro
a se doar jaca e jacaré
em ré na partitura
de dia cinza.
Digo que dia cinza é zinco do diabo
e em céu cinza, seu cinza,
também diabo acho;
mas vida cinza segue, chuva cinza má
bate na face do casario cinzento
sob os quais abrigo-me e abraso-me de gris
no grupo do grou
pelo campo do oleiro...
onde me agacho, fumo um cigarro
e olho a chuva cinza
porquanto sou o homem cinza
que o gris engrola na língua do grou e grua crua
enquanto evola meu ser em fumaça
de sonho que não vingou
nos caminhos dos ares
com pés de vento,
pés de araruta no ventre,
cabeça de vento
no pente
e rota ruta de fruta
que se furta
em furta-cor
para ser  frugal
e fuga do frugal
no frugívoro
que devoro
no ato do coro
do teatro grego
sem grego
ou prego
para martelo
da bruxa
ao pé da cruz
de Jesus
morto
no horto
e ortográfico
nos evangelhos
em exortação papal
na encíclica "Evangelii Gaudium"
de um puro Francisco
de límpido olhar franciscano
em Companhia de Jesus.
( "Meu olhar é  nítido..."
no girassol do campo e do monte,
pastor apaixonado,
eremita sem sua enamorada
- minha girassol
que gira até lua
no girar do girar
e girar...  do pião!, rufião...

ó rufião, vide rufião em zootecnia!).

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Ficheiro:Van Gogh Twelve Sunflowers.jpg

domingo, 8 de dezembro de 2013

PEGUREIRO(PEGUREIRO!) - etimo etimologia

  A cabeça é fria
mas o coração é quente
tal qual o coração
do poeta  Federido Garcia Lorca.
( Só que sou heterosexual
em contraposição ao poeta espanhol
do "Romaceiro Gitano",
sentado no Divã de Tamarit,
querendo o verde
no quero-quero do querer
o quero-quero pássaro
de grito querido
no vau da chuva
que se curva no ar molhado
a clonar um horizonte de fumaça
ou neblina que sublima
a visão latina
que dá voz e filologia
a uma Espanha,
suposta terra das cobras
para assistir ao mito
daqueles antigos
na onomástica imaginária
daquele topônimo.
Geomínia!).

Cérebro gélido, mas vivaz,
mais perspicaz que suspicaz
no pensar à maneira de Kant,
porém bobo qual bolo cálido,
ao modo encantador do poeta Antônio Machado,
que não derriba a machado
o olmo velho,
fendido por um raio,
nem deixa o caminho
ao caminhar
- caminheiro!,
ao feitio do pegureiro(pegureiro!)
sob dossel,
sobre relva.

Caminho até a flor de seus olhos
e a amo
no  vegetal do Sene
ou Cassia angustifolia.
Amor é assim
um glicosídeo vegetativo
que faz viver
e dá vida à vida
- do coração cálido
que desperta a paixão
no cérebro pensante
em transe de perspectiva filosófica,
quase atéia,
não fosse a teia de aranha
que arranha e amanha a terra em vida
que se alastra nas ervas daninhas
e nas boninas ao rés-do-chão pisado :
pisoteado pelos búfulos em manada.
Ontem foi o bisonte
no horizonte
que vejo desenhado
em serras verdes ou azuis-anzóis
para parar  os olhos
do idílico violinista azul
no cerúleo céu
ao léu de déu-em-déu :
imenso véu
onde voa o téu-téu.
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PEGUREIRO(PEGUREIRO!) - etimologia etimo


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

FRONT(FRONT!) - etimo etimologia


Eu não amo pessoa alguma
nem sequer gosto delas
porque pessoas não existem
são personagens do discurso
onde personificam o teatro,
que é a sociedade humana inteira
em símbolos e signos legíveis,
inteligíveis e legais,
mas não factuais, legítimos, autênticos e reais
- acima da realeza dos reis
e dos impérios majestáticos dos imperadores,
pontífices, patriarcas...
- tudo que arca com o governo :
religião, literatura, medicina,etc.
Tudo o que carrega pesados rituais
que sacrificam, sobrecarregam
os movimentos livres dos homens
e das mulheres no front(front!)
com grossos grilhões
e máscara que pesam milhões de dólares
com grifo e sem hipogrifo.

Todavia, amo o primeiro ser humano do discurso
o qual sou eu
e o segundo e a segunda
e até terceiros seres humanos
que vigem e vagam
independentemente do discurso
e não são meros produtos de verbo :
verborréia.

Solitário no amor ante o céu
tendo a terra por escabelo,
olho as poções de aurora
que azucrinam as trevas em ultimato
e azulam a abóbada celeste
sobre o muar ao luar
a azurrar.
O ser humano volta à terra
quando o sangue queda
- no anjo
que era o marmanjo,
 o pai do banjo,
a mãe do arranjo
- de Mozart
e Jesus
- mais que arcanjo
e serafim
porque não será nem terá
- fim.
( "Para isso vim",
disse Jesus dos evangelhos velhos
boca adentro do verbo
que reverbera).


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domingo, 1 de dezembro de 2013

CORNUCÓPIA(CORNUCÓPIA!) - etimologia etimo



Crianças são anjos reais
que vivem nos atoleiros de suas almas
e pegadas àqueles tremedais
deixam pegadas de alma
pelo mundo fora
( noves fora :
Bora Bora borra
- e borra!).


Adultos são entes
que não podem se livrar
de seu lixo
que, no mais das vezes, é luxo :
amores, esposa,  filhos, patrimônio, deuses, cultura...
( Há uma basura e um galarim
do qual não desatrelamos a besta
que somos!
- sumos-sacerdotes sendo,
sendeiros na senda
com venda nos olhos venais...
venéreos, venerandos...
ao assomarmos sibaritas,
sibilas, pitonisas...
em filhas de Vênus nua
nos nus de Picasso esparsas,
garças em graças
de um ou dois  Pablos...,
- pablito...no palito
em um ser
que planta o que "panta",
hem pantera!).

Crianças estão pegadas
e apegadas aos pauis
de internos azuis
anzóis de adultos
ao pescar os verdes das  pradarias
enquanto coletores de frutos
e bebedores de verdes sumos
miscelânea de insumos
que é o que somos
sendo sido cedo no medo dos medos
e outros povos
que somos no sangue
como sumos pontífices,
supra-sumos mestres em beberagens verdes,
mestres-cuca em comilanças vermelhas,
consoante o que comemos escarlate
com a língua nos dentes
e os dentes na polpa carnuda
dos frutos da cornucópia(cornucópia!)
entre o sopro de voz em fio  tecido na cornamusa,
na museta, no mussete
ou em Alfred de Musset...
caso  o sopro do anjo
acaso vire-se em poesia virulenta
escrita em língua musical para anjos
assíduos leitores-doutores
do poeta romântico de França
que confessou "O Mal do Século"
e inspirou noutro sopro de ciúme milenar
um piano com um Chopin noturno em ronda,
ensandecido...
por George Sand!,
que ensandeceu-os
em poeta e compositor
que tocaram a paixão do amor
com mãos e corações...
("Sursum corda!").
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Ficheiro:Giotto - Scrovegni - -32- - Christ before Caiaphas.jpg